domingo, 13 de setembro de 2015

O Ego e as Sombras Iniciáticas



Uma compreensão medíocre do Esoterismo faz com que um crescente número de Buscadores concluam apressadamente que a 'eliminação do Ego' seja o objetivo último da Espiritualidade. Uma verdadeira legião vai engrossando o coro dos que pregam, a torto e a direito, que quanto mais diminuímos o Eu-Objetivo e dissolvemos a Personalidade mais nos aproximamos da Luz.

Esta classe de pensadores costumam apontar o Caminho onde apenas um 'esvaziamento de si' com todas as interconexões 'mundanas' pode nos reconduzir ao estado de Perfeição Espiritual.

Estas mesmas pessoas martelam a ideia de que todo Conhecimento (Esotérico, Religioso, Filosófico, Iniciático, etc..) é uma cadeia que nos prende a superfície da vida, impedindo-nos de alcançar o 'Verdadeiro Eu'.

Nunca entro em discussões mas, vez por outra, peço a estas pessoas que me digam uma frase (uma única frase!) advinda, sem mácula, desta esfera tão sublime de onde se põe a condenar as 'escadas filosóficas' construídas ao longo das eras. Resultado? Uma estranha sopa de um nada confuso e fortemente contraditório.

Dignos, quando alimentamos a ideia de que devemos aniquilar a persona, assumimos a postura semelhante a daquele que com a desculpa de limpar a casa lhe ateia fogo.

O Labor Espiritual não está em dissolver o EGO, e sim Eleva-lo!

Estes indivíduos criticam com ácida soberba exatamente aquilo de que são feitos: Limitação, humanidade.

Estes indivíduos contestam o Caminho alheio, rodam e giram em palavras e não chegam a lugar algum.

Estes indivíduos se empenham em 'desconstruir' e nada, nada oferecem em troca.

Por mais Iluminados que sejamos, em estando neste plano, temos necessariamente que nos utilizar de um 'veículo', de uma 'linguagem' e estarmos sujeitos as leis e limitações deste plano. Por mais Iluminados que sejamos, nenhum ensinamento pode ser retransmitido sem carregar consigo o gene da materialidade.

Sim, esta limitação é uma realidade da qual não precisamos fugir.

O Labor Iniciático não está em dissolvermos o Ego, mais em cumprirmos o que nos diz a Lei Hermética: 'Espiritualizarmos o Corpo e Corporificarmos o Espírito'.

Tornarmo-nos Iniciados não é chancelarmos a vaidade com Aventais coloridos ou Títulos de Graus dourados, é sutilizarmos o nosso modo de ser, sentir, e agir.

Tornarmo-nos Iniciados é 'albificarmos' nossos hábitos alimentares, hábitos de pensamento, hábitos de comportamento e posicionamento ante as circunstâncias da vida.

Tornarmo-nos Iniciados não é escondermo-nos dos problemas e desafios sob a capa da falsa humildade e quietude, é sermos agentes criadores, ativos, dinâmicos e realizadores.

Tornarmo-nos Iniciados não é eliminarmos o Ego, é transforma-lo, reconstruí-lo e Ilumina-lo.

Todos, todos os Mestres de que se tem notícia, estavam sujeitos as vicissitudes de tempo/espaço, linguagem e falhas inerentes ao 'nosso mundo'.

É o aqui e o agora que nos cabe.

In Lumen Lumine,

(Por Caciano Camilo Compostela, Monge Rosacruz)

Compartilhado de: Regiane Benatti